
Por Josias de Souza
Do UOL
Protagonistas da polarização que que dá à sucessão de 2026 uma aparência de tira-teima de 2022, Lula e Flávio Bolsonaro transformaram Donald Trump em sujeito oculto da campanha presidencial brasileira.
Coube ao filho de Bolsonaro o primeiro movimento. Discursando numa conferência conservadora de viés trumpista, no Texas, Flávio dirigiu um “apelo” aos Estados Unidos no último final de semana: “Observem a eleição do Brasil com enorme atenção”, disse Flávio. “Aprendam e entendam nosso processo. Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem ‘pressão diplomática’ para que nossas instituições funcionem adequadamente”.
Na última quarta-feira, documento divulgado pela Casa Branca retomou uma pregação iniciada no ano passado contra o Pix. Anotou que o sistema brasileiro de pagamento eletrônico instantâneo “distorce o comércio internacional”, prejudicando os negócios da Visa e do Mastercard, gigantes norte-americanas do mercado de cartões de crédito.
Um dia depois, de passagem por Salvador, Lula reeditou a retórica da defesa da soberania, que havia ensaiado no ano passado. Orientado pelo ministro do marketing do Planalto, Sidônio Palmeira, Lula disse que “o Pix é do Brasil” e “ninguém vai fazer a gente mudar o Pix”.
Ulysses Guimarães, uma das mais felpudas raposas da política brasileira no século passado, dizia que “o Itamaraty só dá ou tira voto no Burundi”, uma minúscula república africana. Flávio Bolsonaro e Lula, protagonistas de uma batalha que se prenuncia como acirrada e que definirá os rumos da política no Brasil no século 21, testam na prática a eficácia do ensinamento de Ulysses.
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