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20 abril 2026

Aliados cobram Flávio Bolsonaro por ‘promessas’ não cumpridas de Jair em acordos por palanques

 

Aliados aumentaram as cobranças ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a formação de palanques nos estados e dizem que articulações que contavam com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro estão ficando pelo caminho. O impasse atinge candidaturas ao Senado, aposta da oposição para a construção de maioria na próxima legislatura.

O ex-presidente participava das negociações mesmo quando estava preso na Polícia Federal e na Papudinha. Contudo, em prisão domiciliar desde o fim de março por decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF), seu convívio está restrito à família e a advogados. O isolamento, justificado por Moraes por causa da saúde de Bolsonaro após uma pneumonia, forçou Flávio a assumir o protagonismo das articulações, elevando a pressão sobre o senador. As informações são do jornal O Globo.

Nó evangélico

O foco mais visível de desgaste ocorre em São Paulo. Um acordo firmado por Bolsonaro com o bispo Samuel Ferreira previa apoio político em troca da indicação de um nome da Assembleia de Deus Ministério Madureira ao Senado. A promessa envolvia os deputados Marco Feliciano e Cezinha de Madureira, ambos do PL-SP.

Na prática, o espaço não se consolidou. Feliciano, que já havia sido preterido em 2022 por Marcos Pontes, ficou novamente fora mesmo com a saída de Eduardo Bolsonaro do páreo. A insatisfação explodiu na semana passada, quando Feliciano confrontou Flávio durante um culto na Assembleia de Deus do Belém: “Quando é que você e sua família passarão a tratar os evangélicos com a reciprocidade que a gente merece, em vez de uma relação de via única?”, questionou Feliciano.

Procurado para comentar os impasses, Flávio não se manifestou.

O nó em São Paulo é explicado porque o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, defende o nome de André do Prado, presidente da Alesp; Eduardo Bolsonaro atua por aliados como Mário Frias; e uma vaga na chapa de Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve ficar com Guilherme Derrite (PP). O esvaziamento das promessas deve fazer com que Cezinha de Madureira, que migrou do PSD para o PL atraído pelo projeto, reduza o engajamento na pré-campanha. “Estamos com problemas de vagas em todos os estados”, resumiu Valdemar da Costa Neto.

O descompasso se repete em outros estados. Em Roraima, o deputado Hélio Lopes (PL-RJ) transferiu para lá o seu domicílio eleitoral sob orientação de Bolsonaro para concorrer ao Senado, mas encontrou resistência do diretório local do PL, que prioriza nomes como o deputado Nicoletti (PL-RR) e o prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique.

No caso de Nicoletti, aliados lembram que ele tentou ser candidato à prefeitura em 2024 pelo União Brasil, mas deixou o partido após ser preterido e se filiou ao PL com a promessa de disputar o Senado.

Valdemar tem dito a aliados ver “dificuldade” em viabilizar a candidatura. Interlocutores afirmam que Hélio também tentou manter uma alternativa ao se apresentar como nome ao Tribunal de Contas da União (TCU), mas o PL acabou indicando Soraya Santos (PL-RJ), derrotada na eleição da semana passada. Procurado, Hélio Lopes não comentou.

Em Mato Grosso do Sul, a disputa envolve o grupo do deputado Rodolfo Nogueira, que busca lançar ao Senado a mulher, Gianni Nogueira. Mas outros nomes do PL ganharam força, como o ex-governador Reinaldo Azambuja e os deputados Marcos Pollon e Capitão Contar.

“Esse projeto teve início em 2024, a partir de um pedido do (ex-) presidente Jair Bolsonaro. Não vejo como uma disputa interna”, disse Rodolfo Nogueira.

Divergência familiar

Na semana passada, contudo, Flávio Bolsonaro assegurou legenda a Azambuja e indicou que pesquisas definirão a segunda vaga. “Quem estiver melhor colocado vai levar a vaga”, disse em visita ao estado.

No Ceará, o racha é familiar: Michelle Bolsonaro apoia a vereadora de Fortaleza Priscila Costa, enquanto o grupo de Flávio sustenta o nome do deputado estadual Alcides Fernandes. No entorno do senador, a avaliação é que o quadro pelo país é administrável.

“Flávio está fazendo o dever de casa e arrumando os palanques estaduais. Em 2022, Bolsonaro só tinha dez palanques e agora teremos 22 ou 23 estados. É um trabalho que demanda tempo”, afirma o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha.

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