Por Geraldo Eugênio* / Jornal do Sertão – Os Estados Unidos da América são um dos mais importantes países do mundo em produção agrícola. A história da agricultura americana é um exemplo de sucesso. Primeiro veio o melhoramento genético, seguindo-se dos implementos, tratores e equipamentos agrícolas, o uso intensivo da irrigação, a logística de distribuição interna e externa e o aparato científico em torno da agricultura.
Não é à toa que as sementes dos primeiros híbridos de milho foram ofertadas há cem anos e, com elas, a produtividade não parou de crescer em culturas como o milho, o sorgo, a cebola, o tomate, servindo de exemplo seguido por quase todo o mundo. Não é à toa que até o arroz, uma planta autógama, que se fecunda a si própria, foi transformado por cientistas chineses em uma planta em que se cruzam as linhas macho-estéreis e as linhagens férteis, resultando em híbridos que são plantados em milhões de hectares.
Se para o agrônomo a história da moderna agricultura está associada ao melhoramento, ele não esquece que contribuição equivalente foi dada pela mecanização, não sendo trivial que marcas de tratores como John Deere, Ford e Massey Ferguson estejam completando cem anos, seguindo-se da infraestrutura de irrigação, por meio de canais, sistemas de rego, aspersores, pivôs centrais, microaspersores, fitas gotejadoras e, por último, sistemas subsuperficiais em que essas fitas anteriormente distribuídas na superfície são enterradas, a depender da textura do solo, da água disponível e da cultura sendo cultivada. Todo este aparato encontra-se assentado em duas grandes áreas: o aquífero de Ogallala, estendendo-se na planície central americana, o Great Plains, desde o estado de Dakota do Sul até o Texas, abrangendo uma área de aproximadamente 450.000 quilômetros quadrados, suprido por águas armazenadas desde o Mioceno há milhões de anos. A segunda mais importante área irrigada dos Estados Unidos é o Vale de São Joaquim, na Califórnia, que tem como fonte as águas do Rio Colorado, captadas a partir do degelo da grande cadeia de montanhas que se estende ao oeste do país.
Nas áreas do aquífero de Ogallala se cultiva predominantemente o milho e o algodão, além de trigo em Nebraska e no Kansas, enquanto a Califórnia é reconhecida como o grande produtor de hortaliças, nozes, como a pecan, e frutas.
A situação atual dos aquíferos e rios americanos
Neste exato momento, a agricultura americana não enfrenta apenas a política de rejeição da compra de seus produtos pela China, o que se configura uma catástrofe para quem produz soja, milho, sorgo, carne bovina e de frango, mas há uma ameaça ainda mais clara, que é a crescente e irreversível quantidade de água disponível. Seja pela redução das águas do aquífero, que a cada ano estão mais profundas e mais caras de serem bombeadas para a superfície, seja pela demanda da mesma água pelas cidades, cujas empresas de abastecimento pagam bem mais por unidade de água, fazendo com que um número crescente de agricultores prefira vender sua cota de água para o uso urbano, por um valor muito mais caro do que irrigar culturas que nem sempre recompensam.