
O que começou como mais um vídeo em rede social acabou se transformando em um episódio grave que está repercutindo em Pombos e em outras cidades de Pernambuco. O vereador Beto da Ambulância publicou um vídeo em tom agressivo no qual ataca uma cidadã chamada Geraldina e também destrata uma deputada federal, numa sequência de falas que ultrapassa qualquer limite aceitável na vida pública.
No vídeo, o parlamentar passa a ofender Geraldina com palavras como “catraia”, “bandida” e “vagabunda”, em um discurso marcado por humilhação e intimidação. Não se trata de crítica política nem de debate de ideias. Trata-se de agressão verbal e de um caso evidente de violência política de gênero, já que o ataque parte de um agente público contra uma mulher, usando xingamentos e tentativa de desmoralização pública.
O mais grave é que não se trata de um cidadão comum em um momento de descontrole, mas de um vereador no exercício do mandato, alguém que jurou respeitar a Constituição, zelar pelo decoro e representar a população. No mesmo vídeo, ao também destratar uma deputada federal, o parlamentar deixa claro que o ataque não é isolado, mas dirigido a qualquer mulher que ouse contrariá-lo.
Esse tipo de conduta pode, em tese, se enquadrar em crimes contra a honra, como injúria e difamação, além de levantar questionamentos sobre abuso de autoridade e quebra de decoro parlamentar. Mandato não é licença para agredir, e imunidade não é salvo-conduto para ofender ou humilhar.
O episódio coloca a Câmara de Vereadores de Pombos e os órgãos de controle diante de uma responsabilidade inevitável: apurar os fatos e avaliar se esse comportamento é compatível com o exercício de um mandato parlamentar. Quando um representante do povo usa a tribuna digital para atacar e humilhar mulheres, não é apenas uma pessoa que ele atinge. É a própria democracia e o respeito às instituições.
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