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08 setembro 2026

Caso Master consolida a eleição do “não”

Por Rudolfo Lago – Correio da Manhã

Os analistas de pesquisa gostam de usar um número mágico para avaliar as possibilidades de reeleição dos “incumbentes”, como chamam aqueles que disputam o cargo no mandato. O número mágico é 47%. Nessa avaliação, candidatos que têm uma aprovação abaixo de 47% teriam probabilidade muito baixa de reeleição. Por esse raciocínio, essa parece ser a situação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a Genial/Quaest divulgada no dia 2, ele tem 45% de aprovação. O CEO e fundador do Instituto Indexa, Arilton Freres, tem cautela quanto a essa conclusão automática. “O Brasil tem circunstâncias muito próprias que precisam ser levadas em consideração antes de se adotar um padrão automático de experiências no exterior”, disse ele ao Correio Político. Para ele, a polarização política tornou a disputa eleitoral brasileira uma competição de rejeições.

Assim, por aqui sempre vale a máxima do genial maestro Tom Jobim: “O Brasil não é para amadores”. A construção da análise que torna os 47% de aprovação um número mágico desconsidera uma série de outros fatores na acirrada disputa brasileira, que coloca de um lado um entusiasmado time de lulistas, do outro um igualmente fanático time de bolsonaristas, e, no meio, um grupo que gostaria de ter alternativas, mas não as encontra. É preciso lembrar: se a rejeição de Lula é alta, a de Flávio Bolsonaro também é.

De acordo com a mesma pesquisa Genial/Quaest, a rejeição a Flávio Bolsonaro (PL), o principal adversário do presidente, é maior que a de Lula. Flávio tem rejeição de 55%, Lula de 53%. “No final, isso é o que parece que decidirá as eleições deste ano”, considera Arílton Freires. “De que a sociedade tem mais medo? Da continuação do lulismo ou da volta do bolsonarismo?”. As pesquisas ainda não mediram os impactos das últimas notícias sobre o caso Master. Essa repercussão poderá definir para onde pende a balança.

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