Serra Talhada, no sertão do Pajeú, será novamente palco de um dos maiores espetáculos teatrais ao ar livre de Pernambuco. Entre os dias 23 e 27 de julho, sempre às 20h, a Estação do Forró recebe a 12ª edição da peça “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião”, que este ano também celebra os 30 anos do grupo cultural Cabras de Lampião. O evento é gratuito e aberto ao público em geral.
A montagem revive a epopeia vivenciada pelos cangaceiros liderados por Virgolino Ferreira da Silva, o temido e lendário Lampião, explorando não apenas o embate com as forças policiais que culminou na emboscada de 28 de julho de 1938, na Grota de Angico (SE), como também seus amores, dilemas, medos e paixões. A dramaturgia é assinada por Anildomá Willans de Souza, pesquisador do cangaço e conterrâneo de Lampião.
“O público vai se deparar com um Lampião humano, sensível, afetuoso e apaixonado por poesia. Não se trata apenas do líder temido pelos coronéis, mas de alguém que viveu intensamente sua época”, afirma Anildomá. Segundo ele, toda a equipe envolvida no espetáculo está “energizada de alma para contar essa epopeia nordestina com emoção e verdade”.
A produção mobiliza 30 atores, 70 figurantes e uma equipe de 40 profissionais nas áreas técnica e administrativa, sob a direção do consagrado Izaltino Caetano, nome importante do teatro popular em Pernambuco. No elenco, destaque para o ator e dançarino Karl Marx, que interpreta Lampião, e para a atriz Bruna Florie, de Triunfo, no papel de Maria Bonita.
“A responsabilidade é imensa, porque Lampião é mais do que um personagem: ele é símbolo, mito, memória. Interpretá-lo é um orgulho, principalmente por eu ser de Serra Talhada, terra onde tudo começou”, declara Karl Marx. Para o ator, a peça também cumpre uma função histórica. “É mais do que arte, é missão de vida”.
A cenografia reproduz aspectos do sertão e locais históricos ligados ao cangaço, criando uma imersão visual e emocional para o público. A expectativa é de que milhares de pessoas confiram a montagem ao longo dos cinco dias de apresentação.
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) marcou presença na 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), no Recife. Durante participação no evento, um dos mais relevantes do calendário científico nacional, a Autarquia reafirmou o compromisso com a inovação, a produção de conhecimento e o planejamento estratégico como pilares de um novo ciclo de desenvolvimento regional.
Um dos momentos da participação institucional da Superintendência foi a realização de uma mesa-redonda dedicada ao papel histórico da Sudene no processo de desenvolvimento do Nordeste. A atividade, coordenada pelo professor Romilson Marques Cabral, reuniu especialistas que trouxeram diagnósticos e propostas para reposicionar a Região na agenda nacional a partir da ciência, da inovação e de uma nova abordagem territorial integrada.
O superintendente da Sudene, Danilo Cabral, participou da atividade e ressaltou a importância de reposicionar a instituição frente aos desafios do presente e às possibilidades do futuro. “Quando cheguei à Sudene, sabia do desafio de resgatar a Sudene. Quando falamos dela, olhamos muito para o passado. Precisamos olhar para lá, mas sem cair na armadilha de ficarmos presos ao que se foi”, afirmou. Para ele, a legitimidade da Autarquia deve se consolidar como instituição de planejamento e articulação intergovernamental, sendo protagonista dos debates que posicionem o Nordeste como solução e não problema do Brasil.
Danilo Cabral reforçou ainda a necessidade de romper com o ciclo de formulação de políticas públicas que desconsideram a diversidade regional e ignoram o protagonismo do Nordeste. “Temos a tarefa de transformar essas políticas em oportunidades. Precisamos nos apropriar do nosso território, das nossas potencialidades – a exemplo da Caatinga – e investir em políticas de interiorização, ciência e inovação”, concluiu.
Além da participação nos debates acadêmicos, a Sudene também está presente na ExpoT&C, feira de exposições científicas, tecnológicas e institucionais realizada durante a programação da SBPC. A Autarquia montou um estande com atendimento ao público, onde apresenta projetos voltados à pesquisa, desenvolvimento e inovação – temas que têm ganhado centralidade no novo posicionamento estratégico da instituição. O evento segue até 19 de julho e é aberto ao público.
A cidade de Araripina será palco do encontro de agronegócio do Sertão doAraripe. A 7ª edição do ENAGRO, Encontro de Agronegócios será realizada nos dias 25 e 26 de julho, na AEDA, com uma programação intensa voltada ao fortalecimento das cadeias produtivas da região, como apicultura, bovinocultura leiteira, caprinovinocultura, mandioca, piscicultura, agricultura familiar e artesanato. O evento é uma realização conjunta da Prefeitura de Araripina com o SEBRAE e instituições parceiras.
Durante os dois dias de evento, estão previstas 20 capacitações, incluindo palestras, oficinas, exposição de animais e rodada de negócios entre produtores e empresas locais. Ao todo, a estrutura contará com 32 estandes de expositores, 20 baias para animais e um espaço exclusivo para exposição de máquinas e implementos agrícolas. A expectativa é de reunir mais de 2 mil pessoas no evento e envolver diretamente pelo menos 500 participantes em atividades formativas.
O ENAGRO também contará com concursos que valorizam os produtos locais, como o de méis, queijos e petiscos do Sertão. Além das capacitações realizadas entre os dias 20 e 26 de julho — com oficinas, cursos e consultorias —, a programação terá ações de responsabilidade socioambiental, como a distribuição de sementes e mudas, incentivo à sustentabilidade e fomento à economia criativa local.
Para garantir a acessibilidade, a estrutura do evento contará com intérprete de Libras, transporte para moradores de áreas mais afastadas, ambulância e segurança da Polícia Militar. A realização do ENAGRO 2025 reafirma o compromisso da gestão municipal com o desenvolvimento rural sustentável e a valorização do pequeno produtor e do empreendedor sertanejo.
O cruzamento das avenidas Marquês de Olinda e Alfredo Lisboa, no Recife Antigo, é um Big Brother. Há pelo menos quatro pontos de câmeras de videomonitoramento. No Pina, a cena se repete: quem entra na avenida Antônio de Góes se depara com totens imensos com câmeras para segurança pública. Nesses dois pontos, porém, as câmeras da Secretaria de Defesa Social (SDS) do Governo de Pernambuco talvez não estejam funcionando como deveriam.
Em uma análise técnica, datada de 5 de março de 2025, a Secretaria de Defesa Social apontou várias irregularidades nesses dois pontos de monitoramento. No PCI – sigla para ponto de captura de imagens – no Recife Antigo foram constatadas imagens com um efeito pêndulo, causando gravações “desestabilizadas”. Além disso, tanto o PCI da Marquês de Olinda quanto o totem do Pina não tinham isolamento elétrico aplicado na superfície – do nível do solo até 3,30 metros de altura – para mitigar riscos de choque elétrico.
Os problemas apontados no Pina e no Recife Antigo são a parte mais palpável de uma série de problemas do contrato milionário firmado entre o Governo de Pernambuco e a empresa paulista Teltex Tecnologia S.A. para a implantação de um sistema integrado de videomonitoramento público. Para um período de cinco anos, o governo assinou um contrato de R$ 122,5 milhões com a empresa, que tem sede em São Paulo, mas muitos contratos no estado de Pernambuco, incluindo clientes como o Tribunal de Justiça.
Desde 2023, o estado estava sem contrato para videomonitoramento em vias públicas. Pelo contrato, a Teltex instalaria 1.347 câmeras, infraestrutura de transmissão e centros de gerenciamento de imagens em vias públicas do estado, cedendo os direitos patrimoniais e propriedade intelectual para o Governo do Estado. Documentos oficiais aos quais a reportagem da Marco Zero teve acesso, porém, indicam uma série de descumprimentos contratuais por parte da Teltex. Há ainda uma ação judicial que pode comprometer a entrega de, pelo menos, 150 totens.
No começo de abril, a SDS notificou a empresa por não ter instalado 180 dos 200 Pontos de Captura de Imagens (PCIs) que estavam previstos na primeira leva de instalações do contrato. Mesmo após ter sido concedida uma prorrogação de prazo para a execução, a Teltex não cumpriu com a instalação e foi novamente notificada no final daquele mês.
Houve ainda falha no fornecimento dos projetos de instalação dos equipamentos, que deveriam conter, no mínimo, o layout e localização dos equipamentos, e o encaminhamento dos dutos de rede de comunicação e alimentação elétrica.
O contrato com a Teltex também foi impactado por movimentações financeiras significativas. Dois empenhos para a Teltex Tecnologia S.A. foram anulados pela SDS em 7 de fevereiro de 2025. Os valores anulados foram de R$ 22.200.909,00, correspondente ao valor anual do contrato, e R$ 1.771.200,00. A justificativa para as anulações, conforme o documento, foi “possibilitar um controle específico do orçamento/financeiro”, o que indica que os empenhos serão feitos serviço por serviço.
Empenho é o documento que atesta que o governo reservou o dinheiro a ser pago quando um bem adquirido for entregue ou o serviço contratado for concluído. Isso ajuda o governo – municipal, estadual ou federal – a organizar os gastos pelas diferentes áreas do governo, evitando que se gaste mais do que foi planejado. Esta explicação foi extraída do Portal da Transparência do Governo Federal.
Houve ainda uma tentativa da Teltex de reduzir a garantia contratual exigida. A empresa solicitou a prestação de uma garantia proporcional ao valor da primeira Ordem de Fornecimento (R$ 3.081.960,00), argumentando que o valor total anual do contrato (R$ 22.950.900,00) ainda não havia sido empenhado em sua totalidade.
Essa diminuição no valor da garantia teria um efeito prático bastante favorável para a Teltex: influenciaria diretamente no valor de uma possível multa compensatória que pode ser aplicada em caso de descumprimento contratual, que varia de 10% a 20% sobre o valor da garantia, o que geraria prejuízos à administração pública.
No parecer jurídico ao qual a Marco Zero teve acesso, de 18 de março, a Gerência Geral de Assuntos Jurídicos e Estratégicos da SDS rejeitou o pedido da Teltex, ressaltando que a garantia de 5% sobre o valor anual do contrato é obrigatória, conforme edital e contrato.
A SDS também apontou que a fintech apresentada pela Teltex como fiador contraria expressamente normas do Banco Central do Brasil, que não autorizam esse tipo de empresa a oferecer fianças bancárias. Em 12 de junho de 2025, uma comunicação da secretaria executiva de Gestão Integrada à Gerência Geral do Centro Integrado de Operações de Defesa Social opinou pela possibilidade de instauração de um Procedimento de Apuração e Aplicação de Penalidade (PAAP) contra a Teltex, em resposta aos descumprimentos.
No dia 18 de fevereiro deste ano, Raquel Lyra assinou o contrato para a criação de centros de gerenciamento de videomonitoramento online das vias públicas com capacidade para 2 mil câmeras, quantidade anunciada pela governadora, apesar do contrator prever a aquisição de somente de 1.347 câmeras, que seriam divididas da seguinte forma:
275 unidades de câmera fixa. 378 unidades de câmera fixa com LPR (para identificação de placas de veículos) 544 unidades de câmera móvel PTZ – tipo de câmera que possui a capacidade de se mover horizontalmente (Pan), verticalmente (Tilt) e de aproximar ou afastar a imagem (Zoom). 150 unidades de câmera panorâmica 360º (sem áudio)
O contrato não usa as palavras “reconhecimento facial”, mas estão previstas no contrato licenças de uso de software para os seguintes analíticos de imagem, além do LPR:
Detecção de aglomeração: Funcionalidade que permite ao sistema identificar e alertar sobre a formação de aglomerações de pessoas em áreas monitoradas
Busca forense: capacidade de pesquisar rapidamente grandes volumes de gravações de vídeo para encontrar eventos, objetos ou pessoas específicas após um incidente, auxiliando em investigações. Os documentos não especificam se inclui reconhecimento facial
Loitering: “vadiagem”, em inglês. Em videomonitoramento, refere-se a uma funcionalidade que detecta e alerta quando uma pessoa ou objeto permanece em uma área por um período de tempo incomumente longo ou pré-definido.
Video Management System – VMS: O VMS é a plataforma central que gerencia e controla todo o sistema de videomonitoramento. Ele permite a captação, transmissão, processamento, análise, visualização e gestão de eventos das câmeras
Decisão judicial pode afetar contrato A Teltex Tecnologia S.A. ainda está envolvida em uma disputa judicial com a Helper Tecnologia de Segurança S/A por infração de propriedade industrial. A Helper alega que a Teltex, em conjunto com a Forward Intelligence Innovation Hub Ltda (Fintih), está produzindo, usando e comercializando totens denominados Kule360, que violam a patente de invenção e o registro de desenho industrial da Helper. A acusação inclui a alegação de que a Fintih e a Teltex estariam sendo utilizadas em uma manobra para burlar uma liminar anterior obtida pela Helper contra a Banksystem Sistemas & Consultores Ltda., que fornecia o mesmo produto.
No processo, a Helper anexou um laudo técnico da Universidade Tecnológica Federal do Paraná que afirma que há “notória semelhança” entre o produto da Helper e o Kule360. Em 29 de janeiro de 2025, uma decisão liminar determinou que a Fintih e a Teltex se abstivessem imediatamente de produzir, usar, colocar à venda, vender, fornecer ou importar o Kule360, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. A decisão também ordenou a remoção dos totens já instalados em cidades como Paranaguá (PR), Cajamar (SP) e Louveira (SP).
Teltex está proibida pela Justiça do Paraná de produzir, usar e vender os totens Crédito: Arnaldo Sete/Marco Zero
No entanto, a Teltex recorreu e, em 13 de fevereiro de 2025, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) suspendeu a ordem de remoção e inutilização imediata dos totens, mas manteve a determinação de abstenção de produção, uso e comercialização, considerando que os prejuízos materiais poderiam ser ressarcidos posteriormente e que a remoção imediata poderia impactar o interesse público na segurança.
Ou seja, a Teltex ainda está sob proibição judicial para não utilizar, comercializar ou fornecer esses produtos. O contrato com o Governo de Pernambuco prevê a instalação de 150 desses totens com câmeras de 360 graus.
O contrato também tem a exigência de cessão de direitos patrimoniais para o Governo do Estado, após o fim do contrato. Essa cessão de direitos patrimoniais abrange o “fornecimento de todos os dados, documentos e elementos de informação pertinentes à tecnologia de concepção, desenvolvimento, fixação em suporte físico de qualquer natureza e aplicação da obra”. Torna ainda mais relevante o processo para o Governo do Estado, já que existe a possibilidade da Teltex perder a propriedade intelectual da tecnologia utilizada nos totens que já instalou em Pernambuco.
Para a advogada Raquel Saraiva, do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.Rec), a situação da empresa (Teltex) deveria ter sido muito bem analisada já na fase de licitação. “Mesmo a recuperação judicial não impedindo a participação em licitações, o Estado tem o dever de fiscalizar se a empresa será capaz de cumprir o contrato, especialmente quando há uma disputa judicial sobre a tecnologia a ser cedida para o Estado ao final do contrato”, afirmou. “Caso a empresa seja impedida de cumprir com o contrato por conta dessa demanda judicial, mesmo que o processo ainda esteja em andamento e a empresa possa, teoricamente, fornecer a tecnologia neste momento, isso pode gerar um prejuízo para o Estado, pois o fornecimento da tecnologia já não vai mais poder ser feito se a empresa for condenada”, diz.
“Procedimentos estão sendo adotados”, explica SDS A Marco Zero questionou a Secretaria de Defesa Social sobre a aplicação de multas contra a Teltex e sobre o andamento da execução do contrato. A SDS não respondeu às perguntas, mas informou que “todos os procedimentos administrativos necessários à execução plena do contrato, bem como de apuração de eventuais descumprimentos, estão sendo adotados pela SDS, respeitando-se as exigências legais aplicáveis e a supremacia do interesse público”.
A reportagem também procurou a Teltex e enviou uma série de perguntas sobre o contrato com o Governo de Pernambuco, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Auditoria especial do TCE-PE As más notícias sobre a Teltex começaram já quando a empresa ganhou a licitação para o contrato, em novembro de 2024. Na época, foi amplamente noticiado que a empresa estava em recuperação judicial, negociando uma dívida de mais de R$ 40 milhões. Esse fato, no entanto, não era um impedimento para participar da licitação – a Teltex ficou em segundo lugar e assumiu após a desclassificação da primeira colocada.
Logo depois, a empresa Painel Multiserviços LTDA solicitou ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) uma medida cautelar contra a decisão que declarou a Teltex Tecnologia S.A. como vencedora provisória da licitação. A Painel alegou uma série de irregularidades, que iam desde o elevado número de processos judiciais que a Teltex tinha em trâmite até a penalização de impedimento imposta pelos Correios contra a empresa, além de ajuda de outra empresa para ganhar a licitação.
O TCE-PE, contudo, após ouvir tanto a Teltex quanto o Governo do Estado, realizou dois pareceres técnicos que não consideraram as acusações como impedimentos para a Teltex executar os contratos. Todavia, no mês de março instaurou auditoria especial para acompanhar o cumprimento do contrato.
Sai vadiagem e entra loitering, mas problema continua Ainda em julho de 2024, quando o Governo de Pernambuco anunciou que iria contratar nova empresa para fazer o videomonitoramento, entidades da sociedade civil chamaram a atenção para um termo do edital: as câmeras iriam detectar “vadiagem”. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) disse na época que “o uso do termo ‘vadiagem’ suscita preocupações sérias sobre a potencial violação de direitos humanos e a perpetuação de práticas discriminatórias”.
No contrato, o termo foi mantido, mas colocado em inglês, como loitering. Para a advogada Raquel Saraiva, do IP.Rec, o fato do Governo do Estado pagar para ter câmeras com essa funcionalidade é uma clara discriminação, pois atinge desproporcionalmente pessoas em situação de rua, um grupo já vulnerável. “Vadiagem é uma contravenção penal de 1941, já desconsiderada pela jurisprudência, o que torna sua inclusão em um edital de segurança pública problemática”, diz.
Raquel também chama a atenção para a mudança de linguagem e termos usados pela SDS. “Por exemplo, a Secretaria não afirma mais que essas câmeras vão ter reconhecimento facial, diz que vai ter ‘inteligência artificial’, porque já há vários casos de prisões de pessoas inocentes. Reconhecimento facial é uma tecnologia falha, principalmente quando analisa imagens de pessoas negras. Agora, no contrato trocaram ‘vadiagem’ por loitering numa tentativa de dificultar a compreensão pública do seu real significado”, explica.
Na época do edital, a SDS afirmou que manteria a exigência da funcionalidade porque “criminosos têm como modus operandi estudar o local e ficar “perambulando” pela rua onde, por exemplo, vão praticar um assalto — e essas atitudes consideradas suspeitas também são estudadas pelos policiais; O “loitering” é usado ainda para identificar situações incomuns que podem gerar um alerta para a inteligência; Assim como acontece com as câmeras de reconhecimento facial, que se baseiam em fotos de foragidos, a tecnologia é apenas um indicativo que auxilia as forças de segurança e jamais funciona como veredito ou substitutivo da atuação das polícias”.
As câmeras da SDS também poderão indicar a formação de grupos de pessoas, como em protestos. “Os agentes responsáveis pela operação das câmeras precisam ser capacitados não apenas tecnicamente, mas também em segurança da informação e direitos humanos, para evitar abusos. O direito de associação e de reunião é assegurado pela Constituição. Não deve ser violado e a tecnologia não deve ser usada para perseguições ou intimação sob pretexto de detecção de aglomerações”, diz a advogada, que alerta para a complexidade de um contrato que lida com questões tão sensíveis quanto a captura e processamento de dados biométricos das pessoas que passam por essas câmeras.
Uma professora foi presa em flagrante na segunda-feira (7) pelo crime de maus-tratos contra uma criança de 4 anos em um centro de educação infantil localizado em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. A vítima, diagnostica com Transtorno do Espectro Autista (TEA) não verbal, foi encontrada sozinha, amarrada pelos pulsos e pela cintura com tiras de tecido a uma cadeira em um banheiro da instituição.
A prisão a autora foi efetuada após denúncias recebidas pelo Conselho Tutelar e pela Guarda Municipal, e o caso é investigado pela Polícia Civil do Paraná (PCPR). As informações são do Correio Braziliense.
A pedagoga responsável pela criança confessou ter imobilizado o menino e foi autuada em flagrante. Segundo a Polícia Civil, os demais funcionários da unidade escolar também serão ouvidos e podem ser indiciados por omissão.
De acordo com relatos, o comportamento da criança havia mudado radicalmente nos últimos dias. Além de estar sendo isolado de atividades escolares e que também poderia estar sendo alvo de agressões não verbais.
A repercussão do caso levou a novas denúncias. Alguns vídeos adicionais mostram o menino amarrado em outra sala da escola. As imagens, gravadas em dias diferentes, mostram a criança com roupas distintas, indicando que o isolamento e contenção podem ter ocorrido mais de uma vez.
A Promotoria de Justiça de Araucária acompanha o caso. Em nota, o Ministério Público do Paraná (MPPR) informou que a 3ª Promotoria, responsável pelo aspecto criminal, solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante para preventiva. A decisão deve ser tomada após a audiência de custódia marcada para esta quarta-feira (9).
Ontem (8), o pai de outra criança registrou boletim de ocorrência relatando possível episódio de maus-tratos ocorrido em 2023, também na mesma unidade. As investigações continuam para esclarecer completamente o caso e as demais denúncias que surgiram após a repercussão do episódio.
Após o ocorrido, a direção da creche fechou o perfil oficial da instituição no Instagram.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão do envio da lista sêxtupla elaborada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pernambuco (OAB/PE) para preenchimento de vaga destinada à advocacia no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), por meio do Quinto Constitucional. A decisão liminar foi concedida na Reclamação nº 81.568/PE e tem como base a violação às normas de cotas raciais previstas no edital do certame. As informações são do blog do Mário Flávio.
A ação foi movida por Ana Paula da Silva Azevedo, candidata que teve reconhecida sua condição de cotista pela banca de heteroidentificação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Ela apontou irregularidades na participação de outra candidata, Diana Patrícia, cuja autodeclaração racial foi rejeitada pela mesma banca, mas que concorreu por força de liminar administrativa – decisão posteriormente revogada. Apesar disso, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) manteve a inclusão de Diana na lista final, contrariando, segundo a reclamante, os critérios do edital e as diretrizes constitucionais sobre ações afirmativas.
Alexandre de Moraes entendeu que as decisões do TRF5 e da 12ª Vara Federal de Pernambuco afrontaram os princípios estabelecidos na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 41, que confirmou a legitimidade das comissões de heteroidentificação em concursos públicos. Para o ministro, houve risco de lesão irreparável aos direitos da reclamante e ao processo seletivo, com impacto direto na composição da lista que será encaminhada para nomeação de novo(a) desembargador(a).
A decisão liminar suspende os efeitos das decisões judiciais anteriores e interrompe o trâmite do procedimento até o julgamento definitivo da Reclamação pelo STF. A medida reafirma a importância do respeito às regras dos editais e da autoridade das comissões de heteroidentificação, fundamentais para assegurar a efetividade das políticas de cotas e garantir a diversidade e a inclusão racial também nos espaços do Judiciário.
Araripina segue dando exemplo no Sertão com investimentos que unem educação e esporte de qualidade. O prefeito Evilásio Mateus (PDT) anunciou, ao lado do vice-prefeito Bringel Filho (PDT), o lançamento do programa “Quadra nos Trinques”, que vai reformar todas as quadras das escolas municipais com piso oficial homologado pela Federação Nacional de Futsal, o mesmo utilizado em Copas do Mundo.
A decisão veio após visita técnica ao Sport Club do Recife, onde conheceram de perto a estrutura padrão internacional. “Estamos investindo com visão de futuro. Queremos que nossos jovens tenham acesso ao melhor”, disse Evilásio.
Com esse programa, Araripina será o primeiro município do Sertão a oferecer esse tipo de estrutura esportiva nas escolas. O objetivo é transformar vidas, incentivar talentos e reforçar a formação cidadã dos estudantes. A implantação começa já neste semestre.
Capacitações, gastronomia regional e estandes de artesãos compõem a programação da instituição na maior feira de negócios do interior
Capacitações, orientação empresarial, exposição de produtos regionais e uma arena gastronômica dedicada à culinária local integram a estrutura pensada pelo Sebrae Pernambuco para impulsionar os pequenos negócios do Sertão do Pajeú durante a Exposerra 2025. Considerada a maior feira de negócios do interior do estado, a iniciativa acontece de 17 a 19 de julho, em Serra Talhada, com expectativa de atrair cerca de 10 mil pessoas por dia.
Parceiro da Exposerra desde a primeira edição, há 25 anos, o Sebrae traz atividades que prometem movimentar o público. Uma delas é a Arena Gastronômica, onde donos de bares, restaurantes e lanchonetes apoiados pela entidade vão comercializar seus pratos, muitos deles, que enaltecem a culinária local. Posicionada ao lado do palco principal, a arena deve atrair grande fluxo de visitantes durante os três dias de evento, unindo sabor e cultura em um ambiente de celebração e empreendedorismo.
A economia criativa também tem espaço garantido na feira. Na Arena Sebrae de Negócios Criativos, 19 estandes serão ocupados por artesãos do Pajeú e do Sertão de Itaparica, apresentando ao público peças em couro, barro, madeira e moda autoral, todas produzidas com forte apelo identitário e regional. “Será uma oportunidade de ouro para os criativos, não apenas de Serra e região, mas também de Itaparica, mostrarem suas obras a um grande público”, afirma Leila Souza, analista do Sebrae/PE.
Outro destaque da programação são as palestras, marcadas para os dias 18 e 19 de julho, que acontecerão em um auditório exclusivo montado pelo Sebrae. Os temas focam principalmente o setor do varejo, com ênfase em tendências de mercado, estratégias de marketing e inovação em vendas. Analistas do Sebrae estarão disponíveis no local para prestar orientação empresarial personalizada, auxiliando tanto empreendedores em atividade quanto aqueles que desejam iniciar um novo negócio.
Como parte do projeto Sebrae 360, o público também poderá experimentar o turismo do Sertão de forma inovadora. Por meio de óculos de realidade virtual, os visitantes serão transportados a cenários emblemáticos da cidade de Triunfo, um dos principais destinos turísticos do Pajeú. Os vídeos em 3D buscam gerar experiências imersivas, despertando inspiração e ideias de negócio a partir da vivência digital de territórios criativos.
Exposerra
A 25ª Exposerra é uma realização da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Serra Talhada e do Sindicato das Empresas do Comércio de Bens e Serviços (Sindcom). O evento contará ainda com shows, oficinas, desfiles, estandes institucionais e uma programação cultural diversificada, consolidando-se como uma vitrine de oportunidades para negócios locais, regionais e visitantes de outras partes do estado. Com o apoio expressivo do Sebrae em todas as edições, a Exposerra reforça seu papel estratégico no fomento ao empreendedorismo e à economia regional.
A Prefeitura de Araripina, por meio da Secretaria de Esporte e Lazer,realiza nesta sexta-feira (11) a quinta etapa do Circuito Araripinense de Vaquejada 2025, no Parque e Haras Santana, localizado no sítio Santana. A programação segue até o domingo (13), com provas nas categorias masculina e feminina e expectativa de reunir mais de 2 mil pessoas, entre competidores e público.
O circuito tem movimentado não apenas os amantes do esporte, mas também a economia local, fortalecendo o turismo e a geração de renda nos distritos e comunidades rurais. Restam ainda quatro etapas, programadas entre julho e outubro, culminando na Grande Final em dezembro, na Arena Joaquim Afonso. Os campeões disputarão prêmios como uma moto CG 150 START e uma Honda POP.
“O Circuito Araripinense de Vaquejada valoriza os nossos vaqueiros e a tradição do nosso povo. É um evento que resgata nossa identidade cultural e fortalece o esporte no interior”, afirmou o prefeito Evilásio Mateus (PDT). Já o secretário de Esportes, Ricardo Zuilton, destacou o impacto positivo da competição no fortalecimento das comunidades: “É um evento que une famílias, gera renda e dá visibilidade aos talentos da região”.
A sexta etapa já tem data e local confirmados: será no Parque Maria Alice Modesto. Em setembro, o circuito chega a Feira Nova, no Parque João Adrião, entre os dias 11 e 14, e segue para Santa Verônica, de 10 a 12 de outubro, no Parque Everton Santos. A grande final acontece em dezembro, encerrando com chave de ouro o maior circuito de vaquejada do Sertão.
O SENAI Pernambuco, através do Instituto SENAI de Tecnologia (IST MPP) está realizando uma série de consultorias técnicas no polo gesseiro da cidade de Grajaú – Maranhão em parceria com o SENAI Maranhão e o SINDIPREMOLDADOS (Sindicato das Indústrias de fabricação de peças, ornatos, estruturas de cimento, gesso e amianto no Estado do Maranhão).
No dia 26 de junho, foi inaugurado o novo Laboratório de Controle Tecnológico de Gesso na fábrica Robson Gesso, em Grajaú – MA. A ação foi articulada pelo SENAI Maranhão a partir de uma demanda do sindicato com consultoria especializada do SENAI Pernambuco que é referência nacional no setor. O projeto foi conduzido pelas equipes do Instituto SENAI de Tecnologia (IST MPP) e da área de Eficiência Energética do SENAI-PE.
Durante os testes de implantação, foram identificadas melhorias no processo de fabricação das placas de gesso com potencial de economia anual de até R$ 500 mil. Além da estruturação física e metodológica do laboratório, a equipe interna da fábrica também foi capacitada com base nas Normas Técnicas aplicáveis ao controle tecnológico do gesso, ampliando a qualidade e a competitividade dos produtos no mercado.
A iniciativa reforça o papel do SENAI Pernambuco como polo de excelência e difusão de conhecimento técnico no país. Com a expertise do laboratório de Araripina (IST MPP), referência nacional em gesso, o SENAI-PE contribui diretamente para o desenvolvimento da cadeia produtiva em outros estados, promovendo integração regional, inovação e soluções sustentáveis para a indústria.
A coordenadora de Inovação e Tecnologia do SENAI-PE, Andreza Pyrrho, afirma que a parceria entre as unidades do SENAI dos estados do Maranhão e de Pernambuco fortalece a indústria gesseira nos dois polos. “Com a implantação do primeiro laboratório no polo gesseiro de Grajaú – MA, temos a expectativa de aprimorar a qualidade dos produtos e fortalecer nacionalmente o polo gesseiro”, destacou.
Sistema FIEPE - Mantido pelo setor industrial, atua no desenvolvimento de soluções para trazer ainda mais competitividade ao segmento. Além do SENAI – que atua na formação profissional e oferece serviços de metrologia e ensaios, consultorias e inovação – conta ainda com a FIEPE, o SESI e o IEL. A Federação realiza a defesa de interesse do setor produtivo e contribui com o processo de internacionalização das indústrias. Pelo SESI-PE, são oferecidos serviços de saúde e educação básica para os industriários, familiares e comunidade geral. Já o IEL-PE foca na carreira profissional dos trabalhadores, desde a seleção de estagiários e profissionais, até a capacitação deles realizada pela sua Escola de Negócios.
Uma agenda do presidente Lula (PT) e da primeira-dama Janja da Silva no centro de São Paulo, no fim do mês passado, foi viabilizada após reuniões do governo com a Associação da Comunidade do Moinho.
Documentos obtidos pela coluna mostram que a sede da entidade foi usada para guardar drogas para o PCC. A presidente da ONG é irmã do antigo “dono” do tráfico na favela, o traficante Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”.
Segundo o Ministério Público de São Paulo, a favela é controlada pelo grupo criminoso e o acesso costuma ser restrito a não moradores.
O ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência) esteve na entidade dois dias antes da visita do presidente e da primeira-dama Janja da Silva, para negociar a agenda oficial de Lula na favela.
O presidente anunciou um acordo de realocação das cerca de 900 famílias que vivem na área. O terreno, pertencente à União, deve ser transformado em um parque.
Procurado, o ministro afirmou que sua reunião com a associação teve como única pauta a apresentação da solução habitacional para as famílias da favela do Moinho. E que “o diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com políticas de inclusão social, habitação e valorização da cidadania”.
A Secretaria-Geral da Presidência da República é a pasta responsável pela relação do governo com os movimentos sociais. Macêdo balança no cargo desde o início do ano, quando Lula ensaiou uma reforma ministerial que poderia incluir a substituição dele pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).
O presidente tem dado mostras de insatisfação com Macêdo por conta da falta de público nos eventos com movimentos sociais. Os dois, contudo, são amigos – Macêdo é o único ministro que já esteve com Lula nas férias dele, na Base Naval da Restinga da Marambaia, no Rio.
A Associação da Comunidade do Moinho é presidida por Alessandra Moja Cunha, irmã de Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho, apontado como líder do tráfico local, preso em agosto de 2023. Alessandra foi condenada por homicídio e cumpriu parte da pena em regime fechado.
Lula e Janja visitaram a comunidade e posaram para fotos com representantes da Associação. O presidente anunciou um acordo de realocação das cerca de 900 famílias que vivem na área. O terreno, pertencente à União, deve ser transformado em parque.
De acordo com a Receita Federal, a Associação está registrada no número 20 da Rua Doutor Elias Chaves – o mesmo endereço onde, em agosto de 2023, a Polícia Civil apreendeu drogas supostamente destinadas ao centro da capital. A operação, chamada Salus et Dignitas, resultou também na prisão de Léo do Moinho.
O mesmo endereço também figura na agenda oficial de Márcio Macêdo, divulgada pela própria Secretaria-Geral.
Conforme a denúncia do MP-SP, obtida pelo Metrópoles, o local armazenava cinco tijolos de cocaína, “608 porções de cocaína na forma de crack” e 98 porções e três tijolos de maconha. O endereço fica próximo ao campo de futebol da comunidade, onde ocorrem eventos da Associação.
A presidente da entidade, Alessandra, tem 40 anos e é irmã de Jefferson e Leonardo. Outros membros da família também foram denunciados por vínculos com o PCC. Em algumas reuniões com o governo federal, a Associação foi representada por Yasmin Moja, filha de Alessandra e sobrinha de Léo do Moinho. Desde o fim de 2023, representantes do governo se reuniram ao menos cinco vezes com a entidade.
A condenação de Alessandra por homicídio refere-se à morte de uma mulher a facadas, em 2005. Na ocasião, ela e a irmã também tentaram matar um homem, que sobreviveu.
Em maio, Alessandra publicou nas redes sociais um vídeo de uma reunião com representantes do governo, realizada na sede da Associação. No vídeo, ela menciona a “ministra Kelli”, em referência à secretária-executiva da Secretaria-Geral da Presidência, Kelli Mafort, número dois da pasta comandada por Márcio Macêdo.
Na mesma data, Kelli e outros integrantes do governo visitaram a favela e conversaram com moradores. Também participaram representantes dos ministérios dos Direitos Humanos, das Cidades, da Gestão e Inovação em Serviços Públicos e da Justiça. A pasta das Cidades enviou o secretário-executivo Hailton Madureira de Almeida.
No vídeo publicado, moradores gritam: “Salva o Moinho!” e “Moinho resiste!”. Parlamentares do PT e do PSOL também estiveram presentes, segundo relatos.
Como mostrou o Metrópoles, moradores da Favela do Moinho têm sofrido ameaças do grupo de Léo do Moinho ao aceitar a ajuda para mudar para outro local.