
Estadão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno na eleição presidencial, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, 5. O petista tem 48,5% das intenções de voto, ante 43% do primogênito de Jair Bolsonaro (PL). Brancos e nulos somam 4%, enquanto 4,5% não sabem em quem votar em outubro.
Tanto Lula quanto Flávio apresentaram oscilações positivas em relação ao levantamento anterior, realizado no mês passado. O presidente avançou 3,5 pontos porcentuais, e o senador, 3 pontos. As variações foram acompanhadas por uma queda no contingente de eleitores que declaravam voto branco ou nulo (eram 10,5% em julho e agora são 4%).
Na rodada anterior, os dois estavam tecnicamente empatados no limite da margem de erro, de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos. O presidente tinha 45% das intenções de voto, contra 40% do senador. Agora, Lula assume a liderança fora da margem.
Os 48,5% registrados pelo petista representam o maior patamar de Lula no ano em um segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Até então, seu melhor desempenho havia sido em março, quando marcava 47,4% no confronto com o senador. Já no caso de Flávio, o resultado de agosto interrompe a sequência de recuos registrada desde maio, quando se tornou pública sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Apesar da melhora nos índices eleitorais de Lula, os indicadores de aprovação do governo ainda são frágeis e mantêm o cenário presidencial em aberto, avalia Maurício Moura, fundador do instituto e professor visitante na George Washington University. Ele cita que a maior parte dos votos de Flávio no segundo turno vem de eleitores que desaprovam a gestão petista, segmento no qual o senador alcança 84,1% de preferência.
Lula apresenta seus melhores resultados entre eleitores do Nordeste (62% das intenções de voto), católicos (59,1%) e brasileiros das classes D/E (56,5%). Flávio, por sua vez, possui seus maiores índices no Sul (61,4%), entre evangélicos (70,8%) e eleitores com renda de 3 a 5 salários mínimos (53%).
Como nos levantamentos anteriores, a diferença entre os dois candidatos permanece no recorte por gênero: Lula tem 55% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Flávio aparece com 34,5%.
A pesquisa Meio/Ideia também testou outros três cenários de segundo turno com Lula. Em todos, o petista sairia vitorioso. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) teria 40% das intenções de voto contra 48,5% de Lula; o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) registraria 37%, ante 48,5% do presidente; e o fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Renan Santos (Missão), 34,7%, contra 48% do petista.
Ao todo, 66% dos entrevistados afirmam já estar decididos sobre o voto, enquanto 34% ainda admitem mudar de opinião até o dia da votação.
Lula também lidera no primeiro turno
Na simulação de primeiro turno, Lula também fica à frente dos adversários, sendo citado por 43% dos entrevistados. Flávio aparece consolidado em segundo lugar, marcando 35%. Na sequência, estão Ronaldo Caiado, com 5,7%; Renan Santos, com 4,7%; Romeu Zema, com 2,6%; Augusto Cury (Avante), com 1,7%; Cabo Daciolo (Mobiliza), com 0,6%; Samara Martins (UP), com 0,3%; Edmilson Costa (PCB), com 0,2%; e Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO), ambos com 0,1%. Ninguém/branco/nulo somam 2% e 4% não souberam responder.
Na pesquisa espontânea, em que o eleitor declara sua intenção de voto sem ter acesso a uma lista de candidatos, Lula lidera com 34,4% das intenções de voto. Flávio aparece em seguida, com 23%. Outros 27,7% não sabem em quem votar, enquanto 4,5% afirmam que votarão branco, nulo ou em ninguém.
A pesquisa ainda mediu a rejeição dos candidatos. Flávio Bolsonaro agora aparece numericamente à frente de Lula nesse indicador, após o porcentual de eleitores que declaram não votar de jeito nenhum no senador passar de 43,4% para 48%. Lula, por sua vez, também viu seu índice de rejeição oscilar para cima, de 46,4% para 47,4%.
“Flávio aparece com uma rejeição bastante importante, semelhante à do presidente Lula, o que faz com que ambos tenham um teto. Isso nos leva a uma campanha bastante polarizada e cristalizada. Com 66% do eleitorado já se considerando definido no voto, a eleição será decidida no detalhe. É o melhor momento de Lula e o pior de Flávio nos últimos três meses”, diz Cila Schulman, CEO do Ideia.
Entre os demais nomes, Romeu Zema aparece com 14,6%; Ronaldo Caiado, 13,9%; Cabo Daciolo, 13,7%; Renan Santos, 13,5%; Rui Costa Pimenta, 12,9%; Samara Martins, 10,7%; Hertz Dias, 10,1%; Augusto Cury, 9,9%; e Edmilson Costa, 9,8%. Apenas 1,3% afirmam não rejeitar nenhum candidato e 2,9% não souberam responder.
O instituto entrevistou por telefone 1.500 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de 2,5 pontos porcentuais para mais ou para menos e o nível de confiança, 95%. O levantamento foi registrado no TSE sob o protocolo BR-04579/2026.
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