
Por Larissa Rodrigues – Repórter do blog
Com a escolha da ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) para concorrer ao Senado em uma das vagas da chapa liderada pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), pré-candidato ao governo do Estado, o palanque do gestor ficou “a cara do presidente Lula (PT)”. Tudo leva a crer que a estratégia do socialista foi justamente apresentar um grupo totalmente alinhado ao presidente, já que a outra vaga está destinada ao senador Humberto Costa (PT), que buscará a reeleição.
Além de Marília e Humberto, o candidato a vice-governador de João é Carlos Costa, irmão do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (RP), um nome também próximo do presidente Lula. Sendo Pernambuco um território majoritariamente lulista, João Campos optou por uma composição ideológica ligada à esquerda e acabou jogando a direita e o bolsonarismo para o lado da governadora Raquel Lyra (PSD).
Defensora ferrenha de Lula, Marília Arraes poderia equilibrar o jogo na chapa de Raquel, levando para o grupo da governadora um rosto de esquerda e reforçando a tese de palanque duplo para Lula no Estado. Ao que tudo indica, João quis evitar essa possibilidade fechando um time inquestionavelmente lulista.
A governadora ainda pode buscar um nome mais à esquerda para compor. Há no seu campo político defensores do presidente Lula, não necessariamente petistas. O desafio, no entanto, é encontrar alguém disposto a desistir de uma vaga mais certa, como de deputado federal, para disputar o Senado. Ou seja, João dificultou o xadrez para Raquel ao segurar Marília no seu entorno.
A oficialização da ex-deputada na composição liderada pelo prefeito provocou, ainda, algumas ranhuras internas no PT. Alguns setores em Pernambuco não demonstraram entusiasmo com a composição, embora João Campos tenha feito questão de publicar nas redes sociais uma foto na qual está ao lado do presidente nacional do partido, Edinho Silva, e do presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, provando que as articulações passaram pela executiva nacional.
“Ela (Marília) deixou muitas arestas”, avaliou um membro do PT pernambucano, sobre a passagem de Marília pela legenda. A direção estadual do partido chegou a soltar uma nota na qual reforça que a sigla “segue dialogando com sua base, lideranças políticas e movimentos sociais, em sintonia com a direção nacional, buscando construir uma frente capaz de responder aos desafios da conjuntura atual e garantir a defesa da democracia e do povo brasileiro”.
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