
Por Áureo Cisneiros*
O crime organizado brasileiro deixou de ser apenas um problema policial. Hoje, ele é uma potência econômica.
Segundo estimativas amplamente divulgadas por estudos sobre segurança pública e economia do crime, as organizações criminosas movimentam cerca de R$ 347 bilhões por ano no Brasil.
Estamos falando de um volume financeiro gigantesco. Maior do que o faturamento de muitas multinacionais. Maior do que o orçamento de inúmeros estados brasileiros. Uma verdadeira economia paralela.
Se o crime organizado brasileiro movimenta R$ 347 bilhões por ano, estamos diante da maior “corporação” econômica do país.
Uma estrutura que possui logística, inteligência, tecnologia, fluxo internacional de capital, domínio territorial, capacidade de investimento e poder de corrupção.
Nenhuma grande empresa brasileira movimenta cifras dessa magnitude sem deixar rastros financeiros. Então como o crime consegue?
A recente reportagem do Fantástico do último domingo, dia 03 de maio, teve mérito ao mostrar ao país uma verdade que muitos preferem ignorar: o Brasil corre o risco de normalizar o poder das facções criminosas.
O mais assustador é perceber que essas organizações deixaram de atuar apenas nas periferias ou presídios.
Hoje, elas movimentam bilhões, infiltram setores econômicos, controlam territórios e operam verdadeiras engrenagens financeiras.
Mas existe uma pergunta ainda mais grave: como estruturas criminosas conseguem movimentar cerca de R$ 347 bilhões por ano dentro de um sistema financeiro altamente monitorado?
Porque não estamos falando de um sistema bancário despreparado.
Hoje os bancos possuem: inteligência artificial, monitoramento em tempo real, rastreamento de transações, análise de perfil, compliance, cruzamento global de dados, algoritmos avançados, sistemas automáticos de detecção de movimentações atípicas.
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