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25 março 2026

Polícia Federal faz operação contra fraudes de R$ 500 milhões na Caixa Econômica

Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (25), uma operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal. Entre os alvos, estão sócios da Fictor, empresa que anunciou uma tentativa de compra do Banco Master, em novembro, na véspera do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ser preso pela primeira vez, de acordo com pessoas com conhecimento sobre a investigação.

Ainda segundo essas pessoas, um dos mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo no âmbito da operação Fallax é contra o CEO da empresa, Rafael Gois. Outro mira o ex-sócio da empresa Luiz Phillippe Rubini, que comandava o braço de investimentos do conglomerado, o Fictor Invest.

Os agentes estão cumprindo 43 mandados de busca e apreensão e 21 de prisão preventiva em cidades dos estados de São Paulo, do Rio de Janeiro e da Bahia.

O rombo para o banco público, objeto da atual operação, pode superar a cifra de R$ 500 milhões, segundo comunicado da PF. A autoridade policial ainda cita os crimes de estelionato e lavagem de dinheiro.

Procurada, a Fictor afirma que seu CEO foi alvo de um mandado de busca e apenas o smartphone dele foi apreendido. “Tão logo sua defesa tenha acesso ao conteúdo da investigação, serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos.”

A defesa de Rubini, executivo que deixou a Fictor em outubro do ano passado, disse que “não teve conhecimento prévio do processo e se manifestará oportunamente”.

O grupo entrou em recuperação judicial, no dia 2 de fevereiro, declarando dívidas acima de R$ 4,2 bilhões.

De acordo com a PF, a organização criminosa sob investigação utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para alterar a origem dos recursos ilícitos. Para isso, dependiam do recrutamento de funcionários em outras instituições financeiras, que inseriam dados falsos nos sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. “Posteriormente, os valores eram convertidos em bens de luxo e em criptoativos, com o intuito de dificultar o rastreamento”, diz comunicado da PF.

Durante a operação, a autoridade policial apreendeu uma pistola calibre nove milímetros, munições, valores em dinheiro vivo, relógios e aparelhos digitais, como notebook, pen drives, tablets e smartphones.

A Fictor atuava em um modelo de captação de recursos a partir da emissão de contratos de SCP (Sociedade em Conta Participação), uma espécie de ação em sociedade oculta com menor regulação. Após o escândalo do Master, houve uma corrida para recuperar investimentos na Fictor. Com a recuperação judicial, os credores quirografários são os últimos na fila para receber seus débitos.

A situação é agravada pela operação envolvendo a empresa. A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, de veículos e de ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões, com o objetivo de descapitalizar a organização criminosa.

No interior de São Paulo, são cumpridos mandados em Piracicaba, Limeira, Santa Bárbara d’Oeste, Americana, Itapira e Rio Claro.

Foram ainda autorizadas medidas cautelares para o rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de 33 pessoas físicas e 172 pessoas jurídicas.

A PF investiga a atuação da organização criminosa desde 2024, quando identificou indícios de um esquema estruturado para a obtenção de vantagens ilícitas.

Os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, de estelionato qualificado, de lavagem de dinheiro, de gestão fraudulenta, de corrupção ativa e passiva e crimes contra o sistema financeiro nacional. As penas desses crimes podem ultrapassar 50 anos de reclusão. 

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